Tesourinha

TESOURINHA
(atacante)

Nome completo: Osmar Forte Barcellos
Data de nascimento: 3/10/1921
Local: Porto Alegre (RS)

CARREIRA:
1939-1949
Internacional
1950-1952
Vasco
1952-1955
Grêmio
1957
Nacional-POA

No final dos anos 30, um negrinho vindo do Areal da Baronesa, área de população negra de Porto Alegre, tornaria sua história muito maior do que poderia imaginar. Osmar Fortes Barcellos, o Tesourinha, era dono de uma habilidade e faro de gol implacáveis. Seu apelido vem do antigo bloco carnavalesco "Os Tesouras", do qual fazia parte.

Foi chamado para fazer testes no Internacional em 1939 e foi aprovado com louvor. Centroavante nato, Tesourinha teve que ser deslocado para a ponta-direita, pois outro célebre goleador comandava o ataque colorado: Carlitos, rei dos Gre-Nais.

O atacante estreou na vitória contra o Cruzeiro-RS, pelo Campeonato Citadino, em outubro de 39. Dois meses depois, marcou o primeiro gol com a camisa vermelha, em um jogo contra o Força e Luz, com vitória colorada por 7 a 0.

Por ser um jogador franzino, a diretoria autorizou uma padaria vizinha dos Eucaliptos a fornecer alimentação para a jovem estrela do time.

Tesourinha foi o protagonista do clássico e inesquecível "Rolo Compressor" dos anos 40. Não demorou muito e o técnico Flávio Costa o convocou para a Copa Rio Branco de 1944 e para o Campeonato Sul-Americano de 1945.

Foi vendido ao Vasco em 1949 por 300 contos de réis, valor considerado uma fortuna para a época. Ao lado de Ademir Menezes, chefiou o legendário "Expresso da Vitória" por duas temporadas. Não participou da Copa de 50 por uma lesão no joelho. Ainda há quem diga que o Maracanazzo poderia ser impedido...

Em 52, seu desejo de voltar ao Internacional foi barrado pelo presidente Joaquim Difini. O destino no ponta foi o co-irmão. Tesourinha é considerado um abolicionista do time gremista, pois acabou com o preconceito que existia no Fortim da Baixada.

Ironicamente, Tesourinha, dono de uma conclusão mortal, jamais marcou um gol contra o Internacional. Além disso, esteve no Gre-Nal de inauguração do Olímpico, no qual o Grêmio foi goleado por 6 a 2.

Abandonou os gramados em 1955, pois não conseguia mais exercer o futebol primoroso dos seus tempos de "Rolo", mas deu mais um gostinho ao colorado na despedida dos Eucaliptos, em 1969, quando foi presenteado com uma das redes do estádio.


10 anos depois, Tesourinha partiu para outro plano espiritual, deixando um legado incomensurável ao futebol gaúcho e brasileiro. Um câncer no estômago tirou sua vida, aos 57 anos, mas a sua história jamais se ausentará dos corações colorados.

Enísio

ENÍSIO
(lateral-direito)

Nome completo: Enísio Augusto Matte Vieira
Data de nascimento: 5/2/1946
Local: Porto Alegre (RS)

CARREIRA:
1965
Internacional
1966
Aimoré
1967-1968
Avenida
1969
Juventude
1970
América-SC
1971-1972
Juventus-SC
1973
CEUB-DF
1974-1975
Desportiva
1975-1977
Americano-RJ

Desde pequeno, Enísio defendeu as cores do Internacional, dos mirins, até os profissionais. Colega de Pontes, Bráulio e Manoel nas categorias de base do Internacional, Enísio era um discreto lateral do time colorado. Fez parte do grupo campeão estadual de juniores de 64, esse de forma invicta. Ainda no Celeiro de Ases, conquistou os estaduais em 61, 62 e 63.

Profissionalizou-se em 1965, mas não teve muitas oportunidades entre os titulares. A má fase do Internacional na década prejudicava os mais jovens, pois todas as atenções eram voltadas à construção do Beira-Rio. À sua frente havia Laurício na direita, e Sadi pela esquerda.

Ao deixar o Internacional, passou a atuar como volante. No Aimoré, Enísio foi colega de Luiz Felipe Scolari, técnico campeão mundial em 2002 pela Seleção Brasileira e multicampeão com Grêmio e Palmeiras.

Defendeu o Juventude em 1969, apedido de Carlos Froner. Enísio marcou um gol jogando contra o Internacional, na época em que defendia o clube caxiense, em jogo válido pelo Gauchão de 1969. Passou pelo futebol catarinense entre 70 e 72, jogando pelo América e pela Juventus.

Em 1973, conseguiu uma grande façanha defendendo o CEUB, primeiro clube do Distrito Federal a participar do certame nacional, segurando um empate contra o badalado Botafogo, pelo Campeonato Brasileiro daquele ano. O time brasiliense fechou as portas em 1976, com dificuldades para se manter.

Além de jogador, Enísio dedicava sua vida aos estudos. Já com o apelido “Russo”, adquirido em Brasília, Enísio foi defender a Desportiva, do Espírito Santo. Conquistou o título capixaba em 74. Em Cariacica, o lateral era ídolo da torcida, mas boicotado pelos treinadores.

Uma grave lesão no joelho em 1976 fez com que Russo abandonasse a carreira como jogador, enquanto ainda defendia o Americano, de Campos dos Goytacazes. Ao retornar para o Rio Grande do Sul, começou a sua carreira como funcionário de arbitragem da Federação Gaúcha de Futebol. Exerceu a função de 78 a 95.

Sérgio Galocha


SÉRGIO GALOCHA
(atacante)

Nome completo: Luís Sérgio Ferreira
Data de nascimento: 27/12/1948
Local: São Jerônimo (RS)

CARREIRA:
1967-1972
Internacional
1973-1974
Flamengo
1974
Atlético-PR
1975
Chapecoense
1975
CSA
1976
Chapecoense
1977
Paranavaí

O saudoso Sérgio Galocha defendeu o Internacional no período de transição dos Eucaliptos para o Beira-Rio, de 1967 a 1972. Nascido em São Jerônimo, começou a trilhar seu caminho no futebol em times amadores da cidade de Butiá.

Seu curioso apelido foi dado pelos próprios colegas de Internacional. Em um dia de muita chuva, Sérgio chegou nos Eucaliptos usando galochas para proteger os pés. Os colegas riram e o apelido pegou. Sérgio não ligou para isso.

Ao mesmo tempo em que a Jovem Guarda fazia sucesso no Brasil, o Internacional formava três jovens que formavam o “ataque iê-iê-iê”. Sérgio, Claudiomiro e Dorinho surgiam como grandes promessas coloradas que trariam de volta a auto-estima do torcedor e, claro, as taças. Além dos três, Paulo César Carpegiani e Cláudio Duarte eram parte dessa turma.

No festival de inauguração do estádio Beira-Rio, no jogo contra o Peñarol, Sérgio levou um soco de um zagueiro do time uruguaio, que tentou pará-lo em uma jogada que resultou no gol do atacante. Três anos depois, o mesmo zagueiro foi contratado pelo Internacional. Seu nome: Elias Figueroa.

O atacante está na história dos Gre-Nais por ter marcado o primeiro gol do Inter no clássico em Campeonatos Brasileiros, em 71. Vale lembrar que esse clássico iniciou uma série de 17 Gre-Nais sem derrotas.

Em um jogo contra o Santos, no Roberto Gomes Pedrosa de 1969, Sérgio ganhou a camisa do Rei Pelé, depois de uma grande atuação e como pedido de desculpas por uma entrada mais forte do camisa 10 santista. O lateral Rildo chegou a rasgar a camisa do atacante, depois de levar um balãozinho. A partida terminou em 3 a 0 para os colorados, com um show de Sérgio.

Na sua trajetória vestindo a camisa vermelha, Sérgio conquistou quatro estaduais (69, 70, 71 e 72) e foi duas vezes vice-campeão do Roberto Gomes Pedrosa (67 e 68). Fez parte da lista dos 40 jogadores pré-convocados para a Copa do Mundo de 1970, mas não foi chamado.

Mas Sérgio acabou perdendo espaço no time colorado com a ascensão do “garoto de ouro”, Bráulio, no final dos anos 60. Sérgio era o preferido dos Mandarins e defendido por Daltro Menezes, mas a torcida queria ver o futebol majestoso de Bráulio. A pedido de Zagallo, foi contratado pelo Flamengo, onde era titular à frente de uma futura lenda do futebol brasileiro: o jovem Zico.

No final de sua vida, Sérgio Galocha, muito querido pela torcida colorada, teve uma de suas pernas amputadas, em virtude da diabetes. Recebeu assistência financeira e doações do Sport Club Internacional e de seus torcedores. Curiosamente, um dos jogadores que mais ajudou Sérgio no final de sua vida foi Bráulio, com quem disputava a posição.

Faleceu no dia 16 de outubro de 2010, em virtude do diabetes e foi sepultado em Canoas, região metropolitana de Porto Alegre. Sérgio está na história do Internacional pela sua história e seu amor pelo Sport Club Internacional.

Garcia

GARCIA
(meia)

Nome completo: Sulei Garcia da Costa
Data de nascimento: 12/12/1949
Local: Santana do Livramento (RS)

CARREIRA:
1970
Grêmio Santanense
1970
Fluminense-SL
1971
Cruzeiro-RS
1971-1973
Internacional
1974
América-RN
1975-1976
Sport
1977-1979
Náutico
1980-1984
Operário-CG
1985
Remo
1986
Operário-CG

Meia e ponta-esquerda, Garcia começou a carreira no futebol de Santana do Livramento e foi contratado pelo Cruzeiro, de Porto Alegre, no início dos anos 70. Depois de marcar o gol da vitória em um jogo contra o Grêmio, Garcia passou a ser visado por vários clubes do sul do Brasil.

O Internacional tomou a frente e, em 1971, levou a jovem promessa para o Beira-Rio. Permaneceu no clube até o final de 1973, sem espaço entre os titulares. À sua frente havia Paulo César Carpegiani, Djair e Volmir Massaroca. Garcia foi bicampeão gaúcho pelo Internacional.

Da capital gaúcha, Garcia partiu para a capital potiguar para defender o América-RN em 74. Por lá, encontrou o zagueiro Scala, também ex-atleta do Internacional. Foi campeão potiguar daquele ano.

Depois, defendeu dois times pernambucanos rivais: o Sport e o Náutico. Pelo Sport, venceu a competição em 76. O máximo que conseguiu com o Náutico foi o vice-campeonato de 1979, em seu último ano no Recife.

Entre 1980 e 1984, e em 1986, Garcia defendeu o Operário, de Campo Grande, tendo uma breve passagem pelo Remo em 85. Os ex-atletas colorados Escurinho II, Dionísio e Lima atuaram com Garcia no Operário, campeão sul-matogrossense nas temporadas 80, 81, 83 e 86. Garcia pendurou as chuteiras no final de 1986, aos 37 anos.


Escurinho II

ESCURINHO II
(lateral-esquerdo)

Nome completo: Francisco Machado
Data de nascimento: 27/6/1953
Local: Porto Alegre (RS)

CARREIRA:
1974
Internacional
1974
Inter-SM
1975
Internacional
1976
Figueirense
1976
Internacional
1977-1978
Operário-CG
1979
América-SP
1980
Operário-CG
1980
Pinheiros-PR
1981
Vitória
1981
ABC
1982-1983
Atlético de Valdevez-POR
1984-1986
Sporting da Covilhã-POR
1986
Paredes-POR
1987-1988
Esposende-POR
1989-1991
Naval-POR

Lateral-esquerdo bom cobrador de faltas e perito nos lançamentos à área. Escurinho II, irmão do sudosíssimo Escurinho, era uma jovem promessa colorada que surgia no Beira-Rio. Aos 7 anos, Escurinho II já figurava nas categorias de base do Internacional

Passou por todas as categorias até chegar aos profissionais, em 1974. Foi emprestado ao Inter-SM para "pegar cancha", enquanto Jorge Andrade, Vacaria e Chico Fraga eram protagonistas na posição. Escurinho teve pouco espaço no Internacional, mesmo sendo um atleta promissor.

Pelo Inter, Escurinho fez parte das inesquiecíveis campanhas de 1975 e 1976 no Brasileirão. Um forte rumor de que o lateral fez críticas ao técnico Rubens Minelli por não ter chances entre os titulares dificultou o relacionamento entre ambas as partes. Foi envolvido em uma negociação de empréstimo do zagueiro Marião, do Operário-CG, e deixou o Internacional em 1977.

No Brasil, Escurinho defendeu ainda o América-SP, Pinheiros-PR, Vitória (onde jogou ao lado de seu irmão) e ABC de Natal. Em 1982, foi para o outro lado do mundo se aventurar no futebol português. Seu destino foi o Atlético de Valdevez, onde chamou a atenção do Sporting da Covilhã.

Escurinho é um dos grandes idolo do Covilhã. Na terra pátria, o lateral, improvisado na meia-cancha, ajudou o time português a subir para a primeira divisão do futebol português na temporada 1983/1984. Em 62 partidas pelo Covilhã, marcou 12 gols.


O lateral ainda defendeu os lusos Paredes, Esposende e Naval, onde encerrou a carreira em 1991, aos 34 anos. Infelizmente, Escurinho não teve a mesma sorte como treinador. Acabou no esquecimento do universo futebolistico, mesmo com o relativo sucesso que conquistou no segundo escalão do futebol português.