O Internacional escolheu o gol favorável ao vento, cabendo o kick-off ao Grêmio.
Por um momento, fez-se completo silêncio.
Eram 16 horas e 30.
Começou então a luta.
Desde os primeiros momentos, da numerosa e seleta concorrência, apoderou-se um entusiasmo incrível, um verdadeiro delírio.
Cerradas palmas premiavam, indistintamente, os belos feitos dos footballers que se digladiavam.
Notou-se, logo, aos poucos minutos da pugna, que o Internacional agia com superioridade contra o seu veterano adversário.
Schuback e Mohrdieck na defesa gremista, com seu jogo admirável e ação enérgica e conscientes dos forwards alvi-rubros empolgaram os espectadores nos primeiros quarenta e cinco minutos.
Durante essa fase da pugna, o jogo circunscreveu-se no campo dos azuis com algumas rápidas escapadas dos domínios inimigos.
Schuback defendeu seu quadrilátero brilhantemente das fortes e contínuas investidas do quinteto adversário.
A luta desenvolvia-se brilhantemente, faltavam apenas alguns segundos para findar o primeiro tempo, quando Miller, o meia esquerda da alvi-rubra, aproveitou-se dum entrevero na porta do gol e marcou o ponto da emocionante contenda.
Os admiradores do Internacional invadiram então o campo, em manifestações aos seus favoritos.
O goal-keeper Baes, que se houve valentemente, foi carregado em ombros por sportmen entusiastas.
Essas aclamações não findaram no intervalo, nem no segundo half-time; continuaram sempre e cada vez mais calorosas.
Iniciada a segunda parte da pugna, esperava-se que o time do Grêmio se esforçasse para tirar a diferença que lhe levava o inimigo.
Com efeito, o esforço foi empregado mas não deu o resultado esperado.
O quadro alvi-rubro conservou sempre seu domínio no campo.
Nos pés de suas defesas morriam os kicks e as combinações curtas dos atacantes gremistas.
Quanto aos forwards, eram geralmente eles os senhores da bola que recebiam em belos passes, ora dos companheiros, ora dos halfs, em cujo centro destacava-se a figura simpática do estimado capitão Dr. Carlos Kluwe.
Os três gols marcados no segundo half-time pelo Internacional, e que lhe granjearam o título de glorioso vencedor, foram obtidos o 2º e 4º por Bendionda, e o 3º por Túlio, aqueles, um de cabeça e outro de shoot, e este dum belo tiro enviesado que, após bater na trave, alinhou-se mansamente na rede.
Acreditava-se que o Grêmio não faria nenhum ponto, em vista da firmeza com que atuavam os internacionalistas.
Não obstante, o extrema Assumpção, apoderando-se da bola em consequência de uma precipitada defesa do adversário, chutou um gol.
O goal-keeper defendeu o golpe, mas com efeito que a bola levava, escapou-lhe as duas mãos, e batendo na trave muito baixa fez o único gol que o Grêmio obteve.
Quando o tenente Aristides Prado, cuja atuação foi boa, deu por terminado o match, acusava a pedra o seguinte eloquente score:
Internacional - 4 gols
Grêmio - 1 gol
A legião internacionalista, no auge do entusiasmo, carregou os seus players em meio de delirantes aclamações à frente do pavilhão central do ground do Grêmio.
Ali continuaram aquelas manifestações, enquanto as gentis gremistas cobriam os heróis alvi-rubros com delicadas pétalas de flores.
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Durante o intervalo do jogo dos primeiros quadros, a diretoria do Grêmio entregou ao Sr. Felippe Silla, presidente do Internacional, um fino bouquet de flores naturais.
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Das 11 medalhas de ouro oferecidas pela “A Amparadora” aos vencedores do match, uma delas, em ponto maior, deve ser entregue ao jogador que mais se distinguiu durante a luta.
Talvez por estar num de seus dias felizes, o extrema direita Túlio jogou impecavelmente.
Lembramos, pois, aquele futebol à referida companhia para ser o homenageado de ontem.
Fonte: A Federação (RS), n. 252, 01 nov. 1915, p. 4-5. Disponível em: http://memoria.bn.br/docreader/388653/32903. Acesso em: 19 ago. 2023.