NUM JOGO ONDE A VIOLÊNCIA FEZ PRAÇA, INTERNACIONAL E RENNER EMPATARAM EM UM TENTO
SEGURA E CARLITOS (COBRANDO UM PÊNALTI), OS CONSTRUTORES DO PLACAR — ARTUR VILARINHO, O ÁRBITRO SORTEADO, NÃO COMPARECEU — DIRCEU BEZERRA CONTROLOU O EMBATE, CUMPRINDO PÉSSIMA ATUAÇÃO — TAMBÉM NOS ASPIRANTES SE REGISTROU UM EMPATE: 4 X 4 — BOA ARRECADAÇÃO Cr$ 44.657,00 — NO EMBATE DE JUVENIS, REALIZADO NO ESTÁDIO TIRADENTES, VENCEU O RENNER POR 2 A 0
Viveu o certame metropolitano da futebol do corrente ano, sua mais apagada página à tarde ensolarada de domingo último, no estádio dos Eucaliptos. Foi, realmente, sem dúvida, o pior encontro futebolístico do certame oficial da "Máter", o que travaram Internacional e Renner, dando fim à nona rodada. Embate que se apresentava com todas as características de agrado certo, quer pelos valores individuais ou coletivos que estariam em jogo, constituiu, entretanto, o jogo entre colorados e industriários, um espetáculo pobríssimo de técnica e, — infelizmente — rico em jogadas desleais e viris que, durante os 90 minutos se desenrolaram perante a complascência do árbitro da peleja, sr. Dirceu Bezerra.
Salvou, ainda em parte, a tarde futebolística de domingo, o trabalho consciente e quase perfeito das 2 defesas, anulando, uma por uma, as investidas dos ataques antagônicos, quase sempre mal urdidos e mal finalizados. O Renner, com cabeceadores eméritos na sua defensiva, não teve a maior dificuldade em anular as cargas dos dianteiros colorados, todas elas insistentemente erradas, porque procuravam, sempre, o jogo alto. Nílton, Bedeu e Badanha, quando não Heitor e José, luziram desmanchando essa tática improdutiva do famoso "Rolo Compressor".
No Internacional, sem favor algum, as duas maiores figuras foram Alfeu — apesar do pênalti cometido e que o juiz mandou cobrar de fora da área... — e Nena, incansáveis no trabalho de destruir as cerebrais jogadas de Segura.
Também Viana e Ilmo andaram com correção durante os 90 minutos, enquanto Abigail, embora sem produzir o que pode, também teve merecimentos. Esse foi o panorama técnico da peleja em todo o seu transcorrer: duas defesas muito sólidas, anulando dois ataques que, inexplicavelmente, pecaram em erros palmares não demonstrados em anteriores atuações.
O jogo viril e muitas vezes desleal, certamente, muito concorreu para o decréscimo técnico da contenda. O sr. Dirceu Bezerra, temos sentido nisso, se deixa envolver e dominar pelos "players" em campo, daí o estragar, quase sempre, os jogos que tem arbitrado. Vimos, por exemplo, — e todo o mundo viu — Carlitos, numa atitude desleal, desferir um tapa no rosto de José que, tonto, ficou cambaleando, e Heitor vingar-se jogando Carlitos ao chão em violenta e desleal entrada. O caso, que seria de expulsão, dentro da violência com que o jogo vinha decorrendo, não mereceu, sequer, a mínima observação do árbitro. Assim, Carlitos e Heitor, se sentiram com domínio suficiente sobre o árbitro.
E se não tornaram a repetir tais lances foi porque, profissionais conscientes, reconsiderariam o erro, não mais incorrendo nele.
Se falamos, linhas acima, em tais ocorrencias foi, unicamente, com o desejo de condená-las e mostrar até que ponto se resumiu a fraqueza do árbitro. Esconder aquilo que todo o mundo viu em campo é querer "tapar o sol com uma peneira". E nós, graças a Deus, ainda temos consciência da nossa responsabilidade como cronistas esportivos.
COMO FORMARAM INTERNACIONAL X RENNER
Colorados e industriários alinharam em campo as seguintes equipes: INTERNACIONAL — Ivo, Nena e Ilmo; Alfeu, Viana e Abigail; Tesourinha, Beresi, Villalba, Rebolo e Carlitos. RENNER — Éverton, Nílton e Bedeu; José, Badanha e Heitor; Medina, Cabano, Guido, Segura e Gaiteiro.
PRIMEIRO E ÚNICO TENTO RENISTA
O primeiro tento da tarde e o único do Renner, nasceu aos 2 minutos iniciais da contenda obra de Segura, ao receber um passe na brecha, feito por Guido. O cerebral "insider" industriário não teve dificuldade em concretizar o tento que, ao final, daria o empate, vencendo Alfeu na corrida e deixando Ivo sem ação, colocando o couro no ângulo esquerdo do arco colorado.
COBRANDO UM PÊNALTI O INTERNACIONAL EMPATOU
Após a conquista do onze industriário o Internacional, como que antevendo um fracasso, se jogou todo inteiro à luta, no afã de não só neutralizar a equipe industriária, como de emparelhar o placar que lhe era adverso já no início da contenda. Quando maior se fazia sentir a pressão colorada, aos 26 minutos, Tesourinha invade perigosamente a área; José, que entrara no lance, caiu e, nessa ocasião, segurou-se com a bola, a fim de impedir que o azougue "colored" finalizasse a jogada. O sr. Dirceu Bezerra, acertadamente, puniu o Renner com a penalidade máxima que, cobrada por Carlitos, redundou no almejado tento do empate para os colorados.
HEITOR E REBOLO LESIONADOS
Do lance que, ao finalizar, culminou na falta máxima cometida pelo Renner, participaram Rebolo e Heitor que, ao tentarem cabecear o couro, chocaram-se no ar. Ambos lesionaram-se, sangrando abundantemente.
Também Villalba, na altura dos 42 minutos da fase inicial, deixou por instantes o aramado, a fim de ser socorrido.
Na etapa final de encontro Internacional x Renner permaneceu o placar inalterado, reproduzindo-se em maior escala o problema pobríssimo da fase inicial, com ambas as defesas bem ajustadas, anulando o árduo, mas inócuo trabalho dos desarticulados ataques colorado e renista.
JUIZ E RENDA
Artur Vilarinho, o árbitro que o sorteio designou para arbitrar a contenda, confirmando o que já declarara anteriormente, não compareceu ao campo. Então — tal qual como num jogo de várzea — os dirigentes procuraram "pescar" um juiz no local. O "pescado" foi o sr. Dirceu Bezerra, que não cumpriu boa arbitragem, deixando campear o jogo pesado e viril de ambas as partes. Sua maior falha, entretanto, residiu numa falta de Alfeu cometida dentro da área e que s. s. mandou fosse cobrada de outro local.
Injustificavelmente, ao finalizar o jogo, torcedores exaltados "mimosearam" o árbitro com pedradas e insultos os mais grosseiros. Dissemos injusticavelmente, porque as pedradas e insultos partiram da torcida colorada, que não saendo encarar com serenidade o empate — para eles um revés — culparam o árbitro pela péssima atuação do Internacional.
A renda foi de Cr$ 44.657,00.
FERIDO O MENOR NERI SILVA
Devidamente guarnecido pela polícia, o sr. Dirceu Bezerra nada sofreu, mas o menor Neri Silva foi atingido por violenta pedrada na cabeça, que lhe causou profundo ferimento. Depois de socorrido pelo Pronto Socorro, o referido menor recolheu-se à sua residência.
INTERNACIONAL X RENNER EMPATARAM NA PRELIMINAR
O encontro preliminar, entre aspirantes, muito bem controlado pelo sr. Alfredo Zanini, acusou um justo empate em 4 tentos. Marcaram para o Internacional Macias, Flávio, Leônidas e Roberto. Os tentos renistas foram conquistados por Nirinho, Lalaco, Osmar e Sabiá.
Assim atuaram as equipes de aspirantes: INTERNACIONAL — Harri, Maravilha e Tábua; Ghizzoni, Louzada e Peruca; Macias, Leônidas, Roberto, Zizinho e Flávio. RENNER — Albotino, Valter e Punhalada; André, Vado e Osvaldinho; Sabiá, Nirinho, Osmar, Bruzo e Lalaco.
VITÓRIA DOS JUVENIS, PELA MANHÃ
Domingo, pela manhã, no estádio Tiradentes, jogaram as equipes de juvenis do Internacional e do Renner. Esse jogo, que constitui o clássico de sua calegoria, colheu um numeroso público, registrando a ótima arrecadação de Cr$ 3.233,00.
Arbitrou o encontro, o sr. Januário Sparano, formando as duas equipes com as seguintes constituições: INTERNACIONAL — Geraldo, Pinga, e Lázaro; Geada, Odorico e Oscar; Ari, Nilo, Gabia, Rui e Jorginho. RENNER — Valdir, Osmar e Rui; Aulos, Ari e Neco; Flávio, Piveta, Adir, Luiz e Íris.
Vitoriou-se o Renner, por 2 a 0, tentos de Adir e Íris.
Fonte: Jornal do Dia (RS), n. 470, 17 ago. 1948, p. 7. Disponível em: http://memoria.bn.gov.br/DocReader/098230/3417. Acesso em: 25 fev. 2026.