Uma peleja inacabada. Internacional e São José não completaram os 90 minutos regulamentares. Lutaram denodadamente 79 minutos, quando o tempo enfarruscou. Nuvens negras cobriram o céu, tornando a tarde tão escura, que impossibilitou o prosseguimento da justa desportiva.
Assim, não foi completada a despedida do "rolo compressor" do campeonato de futebol da metrópole, nem o próprio escore. Ficou uma forte emoção em todos os colorados e uma intensa expectativa para qualquer dia destes. O prélio se desenhou difícil para os campeões da cidade, que estiveram em desvantagem, sobretudo na etapa primária quando a defesa vermelha apresentou enormes brechas, facilitando a infiltração dos "Zequinhas", cheios de combatividade e de energia.
Os colorados apresentaram-se, de início, com muita displiscência. Estavam "remplies de soi mêmes". Entretanto, bem cedo contataram o equívoco e esboçaram violentas reações. O extraordinário dispêndio de energias, de parte dos rapazes da Areia, veio dar a chance desejada para os rubros. Descontaram a vantagem de dois tentos, assegurada pelo São José, já sobre a hora do primeiro período. A contagem se equilibrou no tempo complementar, após afanosas investidas.
Com uma intermediária irregular, inconstante, o Internacional teve de trabalhar ativamente. Apenas Assis se destacou na "coluna vertebral". Se poucos méritos teve a linha média, a ofensiva suplantou suas atuações anteriores, firmando-se definitivamente como o ponto alto do "rolo compressor". Russinho e Rui salientaram-se, sobretudo pela colaboração contínua e eficiência à retaguarda, quase sempre em apuros.
Coisa curiosa. Três homens perturbaram a zaga, médios e arqueiro colorados: Tsás e os ponteiros. Décio, na entre ala direita, e Lobato, improvisado de "insider" canhoto, não produziram como deviam. Incomodaram algumas vezes, mas não satisfizeram.
Os "santos" aproveitaram muito pouco os "furos" da defesa internacionalista, conquistando dois gols nos primeiros 45 minutos, desperdiçando bons ensejos.
Na "volteada", os brancos arrefeceram o entusiasmo. Cederam, talvez, ao cansaço, embora não se entregassem. Destacou-se, então, o notável desempenho de Ivo, o "arqueiro revelação de 40" e dos zagueiros Armando e Sampaio, sobretudo o primeiro.
Restavam 11 minutos de luta, quando o prélio foi suspenso. A chuva alagou por completo a cancha, impedindo o prosseguimento do cotejo. É bem possível que os 11 minutos sejam jogados quarta-feira, no mesmo local, com os portões abertos.
A HISTÓRIA DOS QUATRO TENTOS E OS LANCES PRINCIPAIS
A primeira sensação de pânico coube à torcida colorada. Javel evoluiu e atrasou a Tsás, no momento em que Marcelo procurou desarmar ao ponteiro. Tsás emenda desviando, tendo o arco à sua disposicão. Momentos após repete-se a situação de aprêmio para os rubros, errando Tsás, outra vez.
Registrou-se outro instante cruel para a defesa do "rolo compressor" depois de um escanteio de Pedrinho. Marcelo intervém com um soco e Lobato, com as redes desguarnecidas, cabeceia desviado.
O Internacional assedia inutilmente. Assis apoia e estende para a frente. Armando controla e atrasa a Ivo, de cabeça. Este chuta. Tsás amortece o "couro" e serve a Cidrônio, isolado na direita, desmarcado. Chinês progride rápido e se avizinha. Marcelo procura interceptar, mas não consegue cortar o chute certeiro: 1x0, aos 21 minutos.
Cinco minutos mais tarde sobe a contagem. Javel habilita a Tsás. Pifa Risada e o "condotieri" do Passo da Areia não tem dificuldades de acertar no alvo: 2x0. Marcelo sensacionaliza com uma defesa num tiro livre, enviando a escanteio. Acentua-se a vigilância de Armando. Sampaio também se exibe, contendo as investidas coloradas. Magno apoia e Junção falha algumas vezes.
Armando, ao despejar legalmente Carlitos, derruba este. O árbitro sem apitar interrompe o jogo, batendo a bola. Prossegue a partida, centra Tesourinha e Ivo defende parcialmente, com esforço inaudito. Rui e Russinho atropelam o arqueiro, sem tocá-lo e cabe ao primeiro (Rui) tirar o zero do placar: 2x1. Em seguida soa o apito do cronometrista. Lobato estava protestando contra o ato do juiz Faillace, que não apitou para interromper o jogo, resolvendo depois bater a bola.
De nada adiantou a reclamação de Lobato.
No segundo tempo, os rubros controlaram melhor. A marcação da zaga foi mais eficiente e a linha média apareceu em plano superior ao da fase inicial. Ivo assombrou, praticando duas ou três defesas de grande gala, além de algumas intervenções oportuníssimas.
Aos 67 minutos verificou-se o almejado empate. Magno desarma e conduz, entregando a Castillo. Sampaio defende fraco e Castillo se apossa de novo centrando. Tesourinha domina e centra, para Russinho desviar, habilmente, á boca da meta, rumo às redes, numa posição difícil: 2x2.
Instantes após, Ivo pratica formidável defesa, num tiro de Tesourinha, cedendo escanteio, de efeito nulo. Tesourinha faz das suas. Dribla dois e obriga magnífica defesa de Ivo. Tsás atira com violência, resvalando no travessão! Álvaro falha e Cidrônio atira fraco nas mãos de Marcelo. Começa a escurecer (26'). Cidrônio atira e Marcelo encaixa com segurança. Russinho "gambeteia" a Armando e a Junção e finaliza. Ivo demonstra, mais uma vez, as suas qualidades, defendendo para escanteio, também sem resultado. A seguir, a partida é suspensa.
Juiz: Henrique Faillace: bom.
Renda: 4:800$000
INTERNACIONAL: Marcelo — Álvaro e Risada — Assis — Magno e Pedrinho — Tesourinha — Russo — Carlitos — Rui e Carlitos.
SAO JOSÉ: Ivo — Armando — Sampaio — Zica — Junção — Kucerat — Javel — Décio — Tsás — Lobato — Cidrônio.
Os melhores: Ivo, Armando, Sampaio, Russinho, Rui, Marcelo, Tesourinha, Javel, Assis.
Índices: Técnico: 0 para ambos, disciplinar: 4 para os dois.
— Na preliminar o Internacional "goleou" ao São José, por 9x0.