ESPETACULAR VITÓRIA DO CRUZEIRO NO PRIMEIRO CLÁSSICO DA TEMPORADA
Por 4 a 1, o Cruzeiro abateu o Internacional — Saladuro, Godô, Ribeiro e Luizinho mercaram para o Cruzeiro — Carlitos assinalou o tento de honra do Internacional
Um público relativamente grande, que fez render a soma de 19.237 cruzeiros, compareceu ontem, à noite, ao estádio da "Colina Melancólica", para assistir ao primeiro clássico da temporada, no qual foram contendores as equipes do Cruzeiro e do Internacional. As honras da noite couberam, merecidamente, ao onze "alvi-azul" que sobrepujou seu valoroso antagonista pela expressiva contegem de 4 a 1.
O encontro, em seu transcorrer, teve duas fases distintas; a primeira, que foi favorável ao "rolo", e tanto foi assim que os primeiros 45 minutos findaram com o placar acusando o resultado de 1 a 0 favorável aos companheiros de Tesourinha. No período derradeiro, porém, os alvi-azuis evidenciaram superioridade, exibindo um futebol mais rendoso e daí o terem seus dienteiros construído um placar e relativamente cômodo.
Os dois bandos, conforme fora previsto, apresentaram a mesma constituição com que já se haviam exibido nos amistosos anteriores. No Internacional formaram: Ivo, Alfeu e Nena, Viana, Ghizzoni e Abigail, Tesourinha (depois Dadá), Ruy (depois Tesourinha), Adão, Elizeu e Carlitos. Cruzeiro: Romeu, Osvaldo Só e Clóvis; Laerte, Juvenal e Geraldo (depois Ferrari); Luizinho, Saladuro, Godô, Wilson (depois Ribeiro) e Waldyr.
A MARCHA DO PLACAR
O primeiro tento da noite foi de autoria do winger Carlitos, ao receber de Adão, quando decorriam 38 minutos do período inicial. No 1º minuto do segundo tempo, mal reiniciada a contenda, Saladuro recebendo de Luizinho e com potente chute de fora da área, obtinha o tento de empate. Aos 14, Nena, em último recurso cometeu pena máxima trancando Luizinho dentro de área. Godô, destacado para cobrar a infração, fê-lo com maestria, assinalando o 2º tento "alvi-azul".
Aos 32 minutos, Saladuro, de posse do couro, executou um centro, formando-se um entrevero à porta do arco de Ivo, do que se valeu Ribeiro para assinalar o 3º tento para o seu onze e, finalmente, aos 44 minutos, Luizinho recebendo de Saladuro e sempre acossado por Abigail, chegou no limite da área e com forte bico decretou o 4º contraste, findando o embate com o resultado de: Cruzeiro, 4 - Internacional, 1.
ATUAÇÃO DOS QUADROS
No bando vencedor, sem dúvida, a principal figura foi Clóvis Milanez, o antigo médio cruzeirista que o técnico Teté improvisou zagueiro. Clóvis esteve verdadeiramente soberbo, conseguindo anular completamente o ponteiro Tesourinha. Por ordem de méritos seguiram-se: Juvenal, Oswaldo Só, Romeu, Laerte, Geraldo na primeira fase, e Ferrari o mais fraco. Na dianteira, Saladuro e Luizinho em primeiro plano, seguidos de Waldyr, Wilson, Ribeiro e Godô. No bando vencido, o trio final esteve algo mal, não reprisando suas atuações anteriores. Na intermediária, Viana foi a principal figura, seguido de Abigail e Ghizzoni, e no ataque, todos num mesmo plano não foram além de regulares.
A arbitragem esteve a cargo de Oswaldo Rolla, o popular Foguinho. S. s. voltou a ser um bom juiz, conduzindo-se com grande imparcialidade e não se deixando intimidar com "caretas". Foi preciso nos impedimentos e enérgico com o jogo pesado. Andou acertado quancio anulou um tento do Cruzeiro, pois o seu autor, o ponteiro Waldyr realmente empregou a mão para fazer com que a bola fosse ao fundo das redes.
Na preliminar entre as equipes de aspirantes, sob a arbitragem de Guilherme Sroka, de esplêndido desempenro, venceu o Internacional pela ajustada contagem de 2 a 1. Na equipe do Internacional estreou, vindo de Carazinho, onde defendia as cores do Glória, o arqueiro Zeno Léo Peruzzo, que teve destacada atuação, revelando boas qualidades.
Fonte: Jornal do Dia (RS), n. 007, 01 fev. 1947, p. 6. Disponível: http://memoria.bn.gov.br/DocReader/098230/18. Acesso em: 13 fev. 2026.