18/04/1948 - Torneio Extra 1948 - Internacional 1 x 2 Cruzeiro-RS

ESTÁ EMPOLGANDO O INTER-CRUZ DE HOJE NA TIMBAÚVA
JOAQUIM RODRIGUES DE ALMEIDA E GUILHERME SROKA, OS ÁRBITROS QUE FUNCIONARÃO APITANDO O CLÁSSICO E O ENCONTRO PRELIMINAR, RESPECTIVAMENTE — PROVÁVEL FORMAÇÃO DAS DUAS EQUIPES — HORÁRIOS E PREÇOS [...]
Na tradicional Timbaúva, terá lugar hoje, à tarde, o primeiro "clássico" do certame em andamento. Serão contendores as equipes do Internacional e do Cruzeiro.
O onze do Internacional, embora tenha empatado em seu compromisso de domingo último, frente ao Renner, surge como favorito, visto que, as atuações do onze alvi-azul têm sido bastante modestas, não obstante em sua constituição figurem bons valores.
Não se pode, porém, afirmar que o onze colorado seja o vencedor, pois é sabido que o Cruzeiro sempre se emprega a fundo quando toca a enfrentar o onze campeão do Estado.
Porém, o que é certo, absolutamente certo, é que o prélio deverá assumir proporções interessantes.
Estarão frente a frente duas equipes categorizadas, ambas com grandes pretensões ao título máximo e ambas com grande desejo de reabilitação.
FORMAÇÃO DAS EQUIPES
INTERNACIONAL — Ivo; Ilmo e Nena; Alfeu, Viana e Abigail; Tesourinha, Villalba, Adãozinho, Beresi e Carlitos.
CRUZEIRO — Borracha; Zé Moreno e Juvenal; Gaúcho, Saladuro e Clóvis; Lombardini, Pantojinha, Nardo, Mujica e Joelci.
JUÍZES E HORÁRIOS
Joaquim Rodrigues de Almeida (Juca), para os profissionais; Guilherme Sroka, para os aspirantes. Ambos escolhidos de comum acordo.
Preliminar, às 13,30 horas; principal, às 15,30 horas. Ambos com 18 minutos de tolerância.
PREÇOS
Pavilhão — Cr$ 12,00; meio pavilhão — Cr$ 6,00; geral — Cr$ 8,00; meia geral — Cr$ 5,00; colegial uniformizado — Cr$ 3,00; cadeiras — Cr$ 25,00.
Fonte: Jornal do Dia (RS), n. 372, 18 abr. 1948, p. 7. Disponível em: http://memoria.bn.gov.br/DocReader/098230/2613. Acesso em: 22 fev. 2026.

TORNEIO EXTRA 1948 - INTERNACIONAL 1 X 2 CRUZEIRO-RS
Data: 18/04/1948
Local: Timbaúva - Porto Alegre (RS)
Público: 5.208 (3.898 pagantes).
Renda: Cr$ 33.454,00
Juiz: Joaquim Rodrigues de Almeida
Gols: Joelci 20’/1 (C); Tesourinha 35’/1 (I); Samuel 35'/2 (C).
INTERNACIONAL: Ivo Winck; Ilmo e Alfeu; Viana, Ghizzoni e Abigail; Tesourinha, Villalba, Adãozinho, Beresi (Leônidas) e Carlitos. Técnico: Carlos Volante.
CRUZEIRO-RS: Borracha; Zé Moreno e Juvenal; Gaúcho (Nestor), Saladuro e Clóvis; Lombardini (Pantojinha), Samuel, Nardo, Mujica e Joelci. Técnico: Telêmaco Frazão de Lima.

COM SUA FORMAÇÃO CLÁSSICA O INTERNACIONAL FOI ABATIDO: 2 A 1
POR 2 A 1 O ONZE ALVI-AZUL IMPÔS-SE AO "ROLO COMPRESSOR" — JOELCI, TESOURINHA E SAMUEL OS "SCORERS" — BOM O DESEMPENHO DE HOMERO CARVALHO — VITORIA DO INTERNACIONAL NA PRELIMINAR — RENDA: Cr$ 33.454,00 — SALADURO DEBUTOU BEM COMO CENTRO-MÉDIO — BORRACHA FOI A GRANDE FIGURA DO GRAMADO
Sem dúvida que, uma das grandes surpresas do "Torneio Extra", constituiu a derrota, domingo à tarde, no tradicional "estádio da Timbaúva", do famoso onze do "Rolo Compresor". — Foi autor da façanha o onze do Esporte Clube Cruzeiro. Surpreendente o resultado do embate por que o onze colorado era apontado como o franco favorito, mercê da modesta campanha da equipe alvi-azul na presante temporada. Maior, sem dúvida, o significado do feito do esquadrão preparado pelo professor Telêmaco Frazão de Lima, se for levado em conta que o onze colorado apresentou-se com a sua "formação clássica", isto é, integrado de todos os titulares, inclusive Nena e Adãozinho, recentemente chegados de Montevidéu, onde estiveram integrando a Seleção Brasileira que concorreu aos jogos pela "Copa Rio Branco".
O embate, em que pese a categoria das equipes em luta, transcorreu falho de técnica, entretanto, foi compensado pelo ardor com que se empregaram os 22 jogadores em campo, principalmente os do Cruzeiro, que desde cedo demonstraram grande apetite. O onze do Cruzeiro exibiu bom entendimento em suas linhas, salientando-se os dois insiders que atuaram com grande disposição durante todo o transcorer da pugna. Saladuro, o atlético craque integrante da última seleção gaúcha, debutou na posição de centro-médio, conduzindo-se com bastante acerto, o mesmo sucedendo com os laterais, Gaúcho, Clóvis e Nestor, este substituindo a Gaúcho quando decorriam 26 minutos de luta. O trio final andou com a costumeira regularidade, sobressaindo o arqueiro Borracha, que praticou defesas espetaculares, que lhe permitiram surgir como da cancha. Os dois ponteiros, Lombardini e Joelci e o center Nardo, uma das figuras mais destacadas, acompanharam o "train" dos demais. O onze colorado apresentou um trio final algo falho. Alfeu não reprisou suas anteriores atuações, sendo por vezes nitidamente superado pelo ponteiro Joelci. Nena, embora tenha tido destacada atuação quando dos recentes jogos pela Copa Rio Branco", foi das figuras menos expressivas do seu onze. A intermediária foi o setor mais positivo, embora sem realizar uma exibição de todo convincente. É fora de dúvida que o ponto fraco da equipe preparada por Carlos Volante foi o ataque. Adãozinho, outro elemento de destacada atuação em Montevidéu, foi figura apagada, pouco aparecendo. O perigoso center colorado deixou transparecer claramente que se ressente do mesmo mal que o acometeu na capital uruguaia e para cuja cura será necessario um repouso prolongado segundo a opinião do médico da C. B. D., que durante longo tempo assistiu o grande craque. Também Beresi e Villalba constituíram elementos de pouca expressão, podendo serem apontados como as piores figuras do gramado. Leônidas, o atacante "colored" vindo de Pelotas e que substituiu a Beresi, não justificou sua inclusão na equipe, não conseguindo, em nenhum momento, conduzir-se melhor que o insider portenho. Tesourinha e Carlitos embora sem reprisarem suas atuações anteriores, foram as figuras mais positivas do ataque, mormente Tesourinha que, além de ter agido com relativo acerto foi ainda o autor do tento de honra da sua equipe, aliás, o tento mais bonito da tarde.
COMO FORMARAM AS DUAS EQUIPES
Os dois bandos apresentaram-se assim constituídos: CRUZEIRO — Borracha; Zé Moreno e Juvenal; Gaúcho (depois Nestor), Saladuro e Clóvis; Lombardini (depois Pantoja), Samuel, Nardo, Mujica e Joelci. INTERNACIONAL — Ivo; Alfeu e Nena; Viana, Ghizzoni e Ilmo; Tesourinha, Villalba, Adãozinho, Beresi (Leônidas) e Carlitos.
A MARCHA DO PLACAR
O primeiro tento da tarde surgiu aos 20 minutos da primeira fase. Joelci, recebendo da direita e após fintar a Alfeu, venceu a Ivo com forte tiro alto. Aos 36, surgiu o tento de empate. Tesourinha recebendo de Adãozinho e deslocando para a esquerda, desferiu violento petardo que Borracha não conseguiu defender. O tento que assegurou a vitória do Cruzeiro surgiu quando o cronômetro ainda não havia assinalado o primeiro minuto de luta da segunda fase. Nena, ao disputar uma bola com Samuel caiu, do que se valeu o insider alvi-azul para bater o arqueiro colorado com um tiro forte e bem colocado.
BOM DESEMPENHO DE HOMERO CARVALHO
Homero Carvalho, escolhido de comum acordo, dirigiu o prélio com acerto.
O INTERNACIONAL VENCEU A PRELIMINAR
O embate preliminar entre as equipes de aspirantes foi vencido pelo Internacional, que assinalou 4 tentos contra um do Cruzeiro, A arbitragem esteve a cargo de Alfredo Zanini, cujo desempenho foi bastante acertado.
O embate teve a assisti-lo um público numeroso que fez render Cr$ 33.454,00 — 3.898 pessoas pagaram entrada, ao passo que outras 1.310 não pagaram.
Fonte: Jornal do Dia (RS), n. 373, 20 abr. 1948, p. 7. Disponível em: http://memoria.bn.gov.br/DocReader/098230/2621. Acesso em: 22 fev. 2026.

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