QUEBRADA PELO CRUZEIRO A INVENCIBILIDADE DO "ROLO COMPRESSOR"
APRESENTANDO NOVA CONSTITUIÇÃO, A EQUIPE ALVI-AZUL DERROTOU DE MANEIRA ESPETACULAR O INTERNACIONAL, NO "DIA DO FUTEBOL" — JUVENAL, NESTOR E PADILHA, OS CONSTRUTORES DO ESCORE DO INTER-CRUZ — APARÍCIO VIANA E SILVA REAPARECEU COMO ÁRBITRO — [...] RENDA : CR$ 27.907,00
Uma tarde verdadeiramente convidativa para o futebol se apresentou a de domingo último, ocasião em que a F. R. G. F. fez realizar o "Dia do Futebol", no estádio da "Colina Melancólica".
Um público bastante numeroso, embora a renda arrecadada fosse de apenas Cr$ 27.907,00, compareceu ao "ground" da Av. Natal e, certamente, de lá saiu satisfeito, pois ambos os jogos disputados foram bastante movimentados, embora falhos de técnica. Apresentando equipes algo desfalcadas, Grêmio e Renner realizaram o jogo preliminar, ficando o encontro de fundo reservado ao "Rolo Compressor" e aos "Flechas Azuis".
[...] Já o Internacional, franco favorito da contenda, sofreu uma derrota sem contestação, tanto mais que atuou com sua defensiva intacta, integrada de todos os titulares. Um dos dos pontos altos do "Rolo Compressor" até aqui tem sido seu sexteto defensivo sólido trabalhador e coeso. Domingo, com a debacle quase que geral desses elementos — apenas Viana se salvou —, vimos os colorados amargar uma derrota inesperada, tanto mais que o Cruzeiro lançou em campo, ocupando postos-bases, alguns elementos desconhecidos até então, ou saídos da equipe secundária.
Foi portanto, como se vê meritória a apresentação cruzeirista durante os 90 minutos, mesmo quando sofreram forte pressão colorada — e isto se deu nos trinta minutos finais da contenda — pois seus defensores, que se mostraram com raro tato conclusivo, agiriam também convincentemente na defensiva, aguentando bem a reação desesperada do "Rolo Compressor" que, à tarde ensolarada de domingo, não soube funcionar com aquele elã demonstrado durante o campeonato.
[...] ESPETACULAR VITÓRIA CRUZEIRISTA
Enfrentando o Internacional, que se apresentava como o franco favorito da tarde, mercê das decepcionantes anteriores atuações do clube treinado pelo prof. Telêmaco Frazão de Lima, o Cruzeiro foi o herói do "Dia do Futebol", roubando do Internacional o título de invicto que este vinha ostentando desde o início oficial do corrente ano.
Com uma linha atacante verdadeiramente inofensiva, em que pese a presença de craques como Tesourinha, Adãozinho, e com uma defesa onde só Viana apareceu destacadamente, não foi possível ao Internacional conter o ímpeto dos "novos" do Cruzeiro. Borracha e Juvenal, dos antigos, que ultimamente vinham jogando de maneira pouco convincente, reencontraram-se à tarde de domingo, daí as razões preponderantes para o triunfo maiúsculo do clube da "Montanha".
COMO FORMARAM CRUZEIRO X INTERNACIONAL
As duas equipes para o clássico Inter-Cruz assim formaram em campo:
CRUZEIRO — Borracha, Zé Moreno e Juvenal; Nestor, Scalco (Laerte no quarto de hora final) e Clóvis; Padilha, Samuel, Nardo, Mujica e Joelci.
INTERNACIONAL — Ivo, Nena e Ilmo; Alfeu, Viana e Abigail; Leônidas, Beresi, Adãozinho, Tesourinha e Elizeu (Macias nos instantes finais).
3 X 0, ESCORE CONSTRUÍDO NA PRIMEIRA FASE
O escore final do embate, 3x0, foi todo ele construído na fase inicial da contenda. Aos 34 minutos, resultado da grande pressão cruzeirista, Nena comete "foul" em Nardo, quase sobre o risco branco da grande área. Scalco bateu com rara felicidade, fazendo um passe para Juvenal que, bem colocado, não teve dificuldade em vencer a perícia de Ivo.
O tento nº 2 dos alvi-azuis nasceu aos 36 minutos, obra de Nestor que, quase do meio do campo venceu Ivo com um tiro alto que teve endereço certo: o fundo das redes do arco colorado. Nesse lance o guardião do Internacional falhou lamentavelmente, mexendo-se para a dafesa quando o couro já ganhara o fundo das malhas.
O último tento da tarde foi conquistado aos 44 minutos, por intermédio de Padilha que soube, muito bem, aproveitar-se de uma confusão surgida na área colorada.
APARÍCIO VIANA VOLTOU AO APITO
Contratado pela "Máter", Aparício Viana e Silva retornou ao apito, fazendo-o de maneira satisfatória, uma vez que cumpriu boa arbitragem, punindo com energia o jogo violento e cobrando bem os impedimentos.
Fonte: Jornal do Dia (RS), n. 481, 31 ago. 1948, p. 9. Disponível em: http://memoria.bn.gov.br/DocReader/098230/3509. Acesso em: 27 fev. 2026.