INTERNACIONAL X CRUZEIRO: O CHOQUE DE GIGANTESPromete revestir-se de proporções sensacionais o embate desta tarde na "Montanha", entre os esquadrões do Cruzeiro e do Internacional, pelo campeonato da cidade.O choque em questão vem polarizando as atenções do mundo esportivo da capital e tudo deixa antever que a praça de esportes da Avenida Natal apanhará a maior assistência ali já registrada.Colorados e alvi-azuis encontram-se em igualdade de condições na tabela de pontos, sem até aqui terem passado pelo dissabor de uma derrota.Evidente que a luta, em vista disso, assumirá proporções gigantescas, pois estarão em luta dois autenticos campeões, com idênticas possibilidades de sucesso.O onze do Internacional formará desfalcado de Adãozinho, ao passo que o seu antagonista, segundo se comenta, não contará com o concurso do center Nardo e do insider Samuel.Conclui-se assim que Internacional leva, sobre seu adversário, pequena vantagem, neste particular.Entretanto, os alvi-azuis confiam plenamente nos suplentes Pantojinha e Waldir, elementos que já formaram na equipe principal e que são de todos conhecidos como donos de apreciáveis qualidades.A CONSTITUIÇÃO DAS EQUIPESSalvo possiveis modificações da última hora, deverá ser a seguinte a constituição das duas turmas:CRUZEIRO: Borracha — Gaúcho e Juvenal; Laerte — Saladuro e Clóvis; Lombardini — Pantojinha — Nardo (Waldir) — Mujica e Joelci.INTERNACIONAL — Ivo — Nena e Ilmo; Alfeu — Viana e Abigail; Tesourinha — Beresi — Villalba — Leônidas e Carlitos.FOGUINHO NA ARBITRAGEMFoguinho, escolhido de comum acordo, controlará o embate principal.A contenda entre aspirantes será dirigida por Alfredo Zanini, ao passo que Januário Sparano controlará o prélio de juvenis a ser realizado pela manhā, no estadio dos "Eucaliptos".Fonte: Jornal do Dia (RS), n. 439, 11 jul. 1948, p. 9. Disponível em: http://memoria.bn.gov.br/DocReader/098230/3167. Acesso em: 25 fev. 2026.
CITADINO 1948 - 1º TURNO - CRUZEIRO-RS 0 X 6 INTERNACIONAL
Data: 11/07/1948
Local: Montanha - Porto Alegre (RS)
Público: 9.012 (6.609 pagantes).
Renda: Cr$ 89.626,00
Juiz: Oswaldo Rolla
Gols: Villalba 16’/1 (I); Villalba 17’/1 (I); Carlitos 3’/2 (I); Tesourinha 8’/2 (I); Carlitos 42’/2 (I); Villalba 43’/2 (I).
CRUZEIRO-RS: Borracha; Gaúcho e Juvenal; Laerte, Saladuro e Clóvis; Lombardini, Pantojinha, Nardo, Mujica e Joelci. Técnico: Telêmaco Frazão de Lima.
INTERNACIONAL: Ivo Winck; Nena e Ilmo; Alfeu, Viana e Abigail; Leônidas, Beresi, Villalba, Tesourinha e Carlitos. Técnico: Carlos Volante.
O "ROLO COMPRESSOR" PÔS PONTO FINAL NA AMBIÇÃO CRUZEIRISTATRÊS VITÓRIAS MAIÚSCULAS DO INTERNACIONAL, SOBRE O CRUZEIRO: PROFISSIONAIS 6 A 0, ASPIRANTES 3 A 1 E JUVENIS 3 A 1 — VIlLALBA 3, CARLITOS 2 E TESOURINHA 1, OS CONSTRUTORES DO AVANTAJADO PLACAR — BOM DESEMPENHO DE OSWALDO ROLLA — RENDA: Cr$ 89.626,00 — BICHO DE MIL CRUZEIROSO estádio da "Colina Melancólica" foi teatro, à tarde de domingo último, de um espetáculo futebolístico dos mais desconcertantes dos últimos tempos. Enorme mole humana subiu até o reduto cruzeirista, na "Montanha", levando a convicção que iria assistir um jogo dos mais renhidos e mais disputados do presente certame. Não era lícito, mesmo, prever um escore alto para a peleja clássica entre alvi-azuis e colorados.Qualquer que fosse o vencedor, este devia construir um escore modesto — assim pensavam todos os torcedores.O que se viu, entretanto, após 90 minutos de luta, foi um escore quilométrico, em favor do famoso "Rolo Compressor", escore que traduziu com a fidelidade de um espelho do mais puro cristal, as ações das duas equipes em jogo. Os pupilos de Carlos Volante, desde o início da pugna que desenvolveram ações mais coordenadas, mais positivas, com mais elan associativo que as desordenadas arremetidas cruzeiristas, todas elas pecando pela base. Assim, decepcionando em toda linha, o Cruzeiro, até mesmo nos setores mais positivos como a defesa, e com o Internacional alardeando entendimento e classe, não foi nada difícil aos colorados arrasarem sem dó nem piedade os desorientados rapazes do prof. Telêmaco Frazão de Lima.OS MELHORES DO INTERNACIONALNão será lícito destacar este ou aquele elemento do "Rolo Compressor" no embate de domingo último. Todos, até mesmo Leônidas e Beresi, na linha, que inspiravam cuidados, saíram-se às mil maravilhas e foram, sem exagero, figuras exponenciais do onze vencedor, embora nenhum tento tivessem conquistado do interminável rosário que foi desfiado até quase o minuto final da contenda. Villalba também cumpriu intenso e profícuo labor durante os noventa minutos, uma vez que se viu completamente "solto", sem marcação de espécie alguma. Aproveitando essa falha, Villalba foi o construtor da vitória, conquistando de início os dois tentos relâmpagos que desmoralizaram e desfibraram os defensores da jaqueta alvi-azul. Dentro do nível costumeiro estiveram Tesourinha e Carlitos. Ivo, Nena e Ilmo, formando o trio final, e Alfeu, Viana e Abigail, na intermediária, mantiveram, sempre, inquebrantável fibra e dominio absoluto das atuações, daí o manter-se incólume o arco guarnecido pelo guardião colorado.OS MELHORES DO CRUZEIRONo onze cruzeirista, de apagada atuação, poucos foram os que se salvaram da debacle inesperada. Borracha, apesar de ter engolido nada menos de seis bolas, nao foi, a não ser no segundo tento, culpado de tão quilométrico escore. Assim, também Juvenal e Gaúcho, na zaga, que resistiram com grande heroísmo, principalmente na primeira fase, as arremetidas fulminantes do "Rolo Compressor". Apenas esses os elementos que se safaram da derrocada quase que total dos "flechas azuis". Quanto aos demais, apagadíssimos. De tão destoante atuação que nem vale a pena estarmos gastando tempo e espaço em citar seus nomes.AS DUAS EQUIPESCom as constituições seguintes pisaram em campo os dois contendores do clássico Inter-Cruz: INTERNACIONAL — Ivo, Nena e Ilmo; Alfeu, Viana e Abigail; Leônidas, Beresi, Villalba, Tesourinha e Carlitos. CRUZEIRO — Borracha, Gaúcho e Juvenal; Laerte, Saladuro e Clóvis; Lombardini, Pantojinha, Nardo, Mujica e Joelci.VILLALBA ABRE A CONTAGEMEmbora completamente inofensivo, o Cruzeiro iniciou a contenda com alguma disposição. Mas aos 16 minutos, quando já havia passado a leve pressão alvi-azul, Villalba, recebendo um "merengue" de Carlitos, coloca o couro, em potente chute rasteiro, no ângulo direito do arco guarnecido por Borracha.VILLALBA AUMENTA PARA DOISUm minuto e meio eram transcorridos da primeira conquista colorada, quando o mesmo Villalba, entrando na corrida, finalizou de maneira espetacular uma jogada de Tesourinha, vencendo o "colored" arqueiro cruzeirista pela segunda vez.PREDOMÍNIO ABSOLUTO DO INTERNACIONALEmbora nem mais um tento fosse assinalado pelo Internacional na etapa primária, foi absoluto e amplo o domínio dos comandados de Alfeu depois da segunda conquista de Villalba. Com uma defesa muito sólida, pode o onze da rua Silveiro conter as arremetidas do desarticulado ataque cruzeirista, enquanto que todo o ataque colorado levava pânico constantemente ao reduto final alvi-azul.CARLITOS INICIOU A GOLEADA NA SEGUNDA FASESempre com o Internacional no ataque, sem haver, portanto, alteração nas características iniciais da contenda, foi iniciada a segunda fase do Inter-Cruz. Já aos três minutos, resultado da pressão colorada, Carlitos vencia a perícia de Borracha, ao receber um passe de Leônidas que se havia deslocado.TESOURINHA AUMENTA PARA 4Aos 8 minutos, precisamente, Abigail, sem que ninguém o importunasse, avançou até perto da grande área cruzeirista, fazendo um passe a Tesourinha. Borracha sai do arco e é coberto pelo couro que vá ter ao fundo das redes. Estava, assim, concretizado o tento n. 4 do Internacional.CARLITOS CONCRETIZA MAIS UM TENTO: 5 A 0Quando o embate se encontrava já nos minutos finais e os "secadores", em sua maioria, tinham abandonado o gramado cruzeirista, Carlitos, aos 42 m., fulmina Borracha ao receber um preciso passe de Leônidas.MEIA DÚZIA, NADA MENOS...Aos 43 minutos mais um tento colorado surgiu, obra de Villalba, ao receber um passe de Tesourinha. Com esse escore significativo findou o embate que situou o Internacional como ponteiro invicto do certame citadino.ARBITRAGEM E RENDAOswaldo Rolla, o popular Foguinho, arbitrou com a correção habitual o encontro principal. Suas falhas foram insignificantes e em nada influíram no placar avantajado.O "borderaux" da F. R. G. F. acusou a renda de Cr$ 89.626,00, assim descriminada:
453 cadeiras a 50,00 21.750,00 680 pavilhões a 18,00 12.240,00 62 1/2 pavilhões a 10,00 620,00 4036 gerais a 12,00 48.432,00 599 meias a 7,00 4.193,00 797 colegiais a 3,00 2,391,00 Total: Cr$ 89,626 Pagaram entrada 6.609 pessoas — Não pagantes: 2.403 — Total de assistentes: 9.012.BICHO DE MIL CRUZEIROSA diretoria do Internacional gratificou os craques colorados pela esplêndida vitória de domingo, com o elevado bicho de mil cruzeiros.VITÓRIA DOS ASPIRANTES COLORADOSNo embate preliminar também venceram os aspirantes colorados, pela cômoda contagem de 3 a 1, sob a correta arbitragem de Alfredo Zanini.[...] INTERNACIONAL — Harry, Tábua e Maravilha; Peruca, Louzada e Esteves; Macias, Adair, Roberto, Rebolo e Chinês.Os tentos foram marcados por Rebolo 2, Nestor 1 (contra) e Valdir 1.TAMBÉM NOS JUVENIS O CRUZEIRO "MARCHOU"...No estádio dos "Eucaliptos", domingo último, pela manhã, jogaram os juvenis colorados e cruzeiristas, vencendo os locais pelo escore de 3 a 1. Na arbitragem funcionou Januário Sparano. A renda arrecadada foi de Cr$ 350,00.Fonte: Jornal do Dia (RS), n. 440, 13 jul. 1948, p. 7. Disponível em: http://memoria.bn.gov.br/docreader/098230/3177. Acesso em: 25 fev. 2026.
PORTO ALEGRE, 12 (Asapress) — Surpreendente resultado apresentou, ontem, o "clássico" Internacional x Cruzeiro, realizado no estádio da Montanha.
Contrariando todas as expectativas, o "onze" do Internacional venceu pelo escore de 6 x 0, sendo que na primeira fase da partida já vencia por 2 x 0. A renda do encontro foi de 80.625 cruzeiros.
Fonte: A Tribuna (SP), n. 092, 13 jul. 1948, p. 7. Disponível em: http://memoria.bn.gov.br/DocReader/153931_02/42537. Acesso em: 25 fev. 2026.