NA SEGUNDA APRESENTAÇÃO EM SÃO PAULO, O INTERNACIONAL, DE PORTO ALEGRE, FOI DERROTADO PELO CORINTHIANS
1 A 1 FOI A CONTAGEM FINAL DO INTERESTADUAL — FRACO O DESENROLAR DA PARTIDA — SERVÍLIO (2), NINO, PIPI E ELIZEU, OS MARCADORES — RENDA DE 104.759 CRUZEIROS
Pela segunda vez tivemos no Estádio Municipal do Pacaembu um cotejo interestadual de futebol e que contou com a participacão do "onze" do Internacional, de Porto Alegre. O conjunto sulino, após aquele revés sofrido quinta-feira última, frente ao Palmeiras, preparou-se para uma merecida reabilitação. Iria jogar sob a luz do sol e com o estado do gramado em superiores condições, à vista do tempo seco.
NÃO CORRESPONDEU
Mesmo analisando a classe do quadro gaúcho, esperava-se dele uma atuação mais consentânea com a sua situação de hexacampeão dos gramados dos pampas. Todavia, o "onze" do Internacional só logrou maior destaque na fase inicial da partida. Veio o segundo período de jogo e então decaiu de uma vez a produção do quadro visitante.
Não podemos, entretanto, ver no quadro do Internacional um conjunto de pequenas possibilidades. Possui bons valores, porém, não pôde contar com a presença de todos os titulares que retornaram contundidos da Bahia. Assim é que tornou-se presa fácil ao conjunto do Parque São Jorge que, a despeito do seu modo defeituoso de atuar, conseguiu, já na primeira fase do jogo, marcar seus quatro pontos. Os gaúchos também conquistaram o seu ponto de honra nos primeiros quarenta e cinco minutos de luta.
SÓ A ALA ESQUERDA
Já dissemos ter impressionado mal a conduta dos elementos do quadro corinthiano. Apenas alguns jogadores se salvaram pelo esforço individual, visto não ter havido em instante algum da peleja um só lance, da parte dos locais, que impressionasse pela técnica apurada. No ataque, principalmente, tinha-se a impressão de existir tão somente a ala esquerda, formada por Rui e Pipi. Servílio permanecia isolado, no centro da vanguarda, enquanto Nino deixava de recuar para prestar maior auxilio à defesa. Jerônimo, que apareceu no lugar de Cláudio, desperdiçou um bom número de bolas quando tudo indicava tento certo.
1 A 0 — NINO
Aos 2 minutos de jogo o Corintians avançou pelo campo contrário. Pipi recolheu passe de Aleixo e carregou. Da altura da linha de fundo, centrou atrasado para Rui. Este cruzou na área entre Servílio e Alfeu. O baiano cabeceou desviando em direção de Nino, que controlou rematando no canto.
1 A 1 — ELIZEU
A partida havia alcançado o seu 18º minuto quando Adãozinho recolheu, fazendo passe lateral a Ávila. Ávila cerrou com rapidez e, ultrapassando a linha média, endereçou a bola a Elizeu. O atacante gaúcho venceu na corrida os dois zagueiros alvi-negros e atirou forte, empatando a pugna.
2 A 1 — SERVÍLIO
Aos 26 minutos Rui recolheu de Pipi, na entrada da área e depois de fintar Dadá, fez um passe cruzado para Nino. Alfeu falhou na marcação de Servílio, indo ao encontro do jogador que estava com a bola. Nino imediatamente fez passe ao baiano, para este atirar numa fulminante "virada", vencendo Ivo com um chute de esquerda.
3 A 1 — PIPI
Minutos antes de assinalar o terceiro ponto, o ponteiro esquerdo do Corinthians já havia conquistado outro tento, porém, sem ter ouvido o árbitro trilar o seu apito, ordenando cobrança de impedimento do próprio Pipi. Aos 34 minutos falhou novamente a defesa do Internacional. Hélio cobrou uma falta de Nena, abaixo da linha média, mandando a bola alto para dentro da área. Alfeu ficou parado e a bola "sobrou" para Pipi, que vinha acompanhando o lance. O extrema corintiano só teve que emendar na corrida, mandando a bola para o fundo das redes.
4 A 1 — SERVÍLIO
Aos 41 minutos, o Corintians encerrou a contagem. Rui passou a Pipi e este cerrou pelo seu setor, conduzindo a bola até a linha de fundo. De lá atrasou alto para Servílio. Controlando no chão, o baiano desferiu um violento tiro no canto direito, deixando o arqueiro Ivo completamente impossibilitado de defender.
RUY E PALMER EXPULSOS
Na altura do 29º minuto de jogo, da parte complementar, o árbitro da partida expulsou de campo o atacante gaúcho Ruy, do Internacional e o médio direito Palmer, do Corintians, por haverem se agredido mutuamente.
OS QUADROS
Os quadros foram os seguintes:
CORINTIANS: Bino; Ariovaldo e Aldo: Palmer (Joãozinho), Hélio e Aleixo; Jerônimo, Nino, Servílio, Rui e Pipi.
INTERNACIONAL: Ivo; Alfeu e Nena; Viana, Ávila e Dadá (Ivo Aguiar), Tesourinha (Elizeu), Elizeu (Hormar), Adāozinho, Ruy (Elizeu) e Carlitos.
O JUIZ E A RENDA
Dirigiu a peleja, com acerto e imparcialidade, o juiz João Etzel.
A renda da peleja foi de 104.759 cruzeiros.
A PRELIMINAR
A preliminar, entre o "onze" de amadores do Palmeiras e o Sams F. C., campeão da Acea, em disputa do Torneio de Campeões, terminou empatada por 1 ponto.
Fonte: Correio Paulistano (SP), n. 27490, 06 nov. 1945, p. 8. Disponível em: http://memoria.bn.gov.br/DocReader/090972_09/25963. Acesso em: 20 jan. 2026.