10/10/1948 - Citadino 1948 - 2º turno - Renner 1 x 1 Internacional

O INTERNACIONAL EM BUSCA DO PRIMEIRO TRIUNFO FRENTE O RENNER
O "ROLO COMPRESSOR" VISITARÁ, HOJE, O "WATERLOO" DA RUA SERTÓRIO [...]
Nos gramados do Renner e do Coríntians terá lugar, hoje, a última etapa da presente rodada, reunindo na Rua Sertório, os quadros do Renner e do Internacional no confronto mais importante da tarde, já que os rubros lutarão, em seu penúltimo compromisso do atual campeonato, para manterem a honrosa condicão de invictos, uma vez que têm assegurado o título de bicampeões da cidade. E, os pupilos de Gradim encontram no embate desta tarde magnífica oportunidade para reabilitação da derrota sofrida no último compromisso frente aos zequinhas.
[...] NO RENNER
No gramado do Renner as equipes deverão entrar assim constituídas:
RENNER — Éverton, Pedro e Bedeu; José, Badanha e Vado; Medina, Cabano, Guido, Segura e Ilmo.
INTERNACIONAL — Ivo, Nena e Ilmo; Alfeu, Viana e Abigail; Tesourinha, Beresi, Villalba, Roberto e Carlitos.
Valente Bastos apitará encontro Renner x Internacional, enquanto Foguinho estará controlando o cotejo Coríntians x Nacional.
O JOGO PRELIMINAR
Preliminarmente deverão defrontar-se as equipes secundárias dos dois tradicionais adversários que, por sua situação na tabela, vem sendo aguardado com intensa expectativa. É que o Renner leva sobre os rubros uma vantagem de dois pontos na tabela. Assim, o triunfo dos companheiros de Walter significará a conquista do título máximo enquanto, vencedores os colorados, o Campeonato estará empatado, daí, o justificado interesse em torno do encontro entre os dois líderes.
Fonte: Jornal do Dia (RS), n. 517, 10 out. 1948, p. 10. Disponível em: http://memoria.bn.gov.br/DocReader/098230/3794. Acesso em: 02 mar. 2026.

CITADINO 1948 - 2º TURNO - RENNER 1 X 1 INTERNACIONAL
Data: 10/10/1948
Local: Tiradentes - Porto Alegre (RS)
Público: 3.816
Renda: Cr$ 37.187,00
Juiz: João Valente Bastos
Gols: Segura 17’/2 (R); Carlitos 21’/2 (I).
RENNER: Éverton; Pedro e Bedeuzinho; José, Badanha e Cabano; Sabiá, Nirinho, Guido, Segura e Ilmo. Técnico: Gradim.
INTERNACIONAL: Ivo Winck; Nena e Ilmo; Alfeu, Viana e Abigail; Tesourinha, Beresi, Villalba, Elizeu e Carlitos. Técnico: Carlos Volante.

RENNER E INTERNACIONAL DIVIDIRAM OS LOUROS DE UMA TARDE MOVIMENTADA
1 X 1, O ESCORE CONSTRUÍDO NA FASE DERRADEIRA POR SEGURA E CARLITOS — BOA ATUAÇÃO DO SR. VALENTE BASTOS — NUM EMBATE GRANDEMENTE ACIDENTADO, OS ASPIRANTES DO RENNER CONQUISTARAM, MERECIDAMENTE, O TÍTULO DE CAMPEÕES DE 1948 — ÓTIMA RENDA: Cr$ 37.187,00
Renner x Internacional, à tarde de domingo último, no magnífico "Estádio Tiradentes", à rua Sertório, realizaram um dos mais sensacionais cotejos do agonizante certame citadino do corrente ano. O público, como que prevendo uma ótima tarde futebolística, acorreu bastante numeroso ao reduto industriário. O espetáculo futebolístico, se não apresentou uma técnica aprimorada, agradou pela intensa movimentação, atuação magistral de Ivo e Éverton e pela firmeza com que atuaram as duas defensivas. Foi um bom encontro futebolístico, o melhor que se podia esperar deste final de campeonato.
O RENNER FEZ ENTREGA DAS FAIXAS AO INTERNACIONAL
Antes do início do jogo, após o encontro entre aspirantes, foi feita festiva entrega das faixas de campeão ao Internacional pelos jogadores do Renner. Uma banda de música composta de presidiários da Casa de Correção cadenciou a festividade, tendo recebido o galardão o técnico Carlos Volante, os jogadores Viana, Leônidas, Elizeu, Beresi, Adãozinho, Villalba, Tesourinha, Alfeu, Ilmo, Nena, Roberto, Maravilha, Abigail, Ghizzoni, Rebolo, Carlitos, Ivo e o massagista Coratti.
EQUIPES EM CAMPO
Equipes e cotação dos 22 jogadores que realizaram os 90 minutos da contenda entre colorados e industriários:
RENNER — Éverton (ótimo), Pedro (ótimo) e Bedeu (ótimo); José (regular, decaindo no segundo tempo), Badanha (muito trabalhador) e Cabano (bom); Sabiá (bom), Nirinho (regular), Guido (apagado), Segura (ótimo) e Ilmo (bom). INTERNACIONAL — Ivo (ótimo), Nena (bom) e llmo (bom); Alfeu (ótimo), Viana (bom) e Abigail (regular); Tesourinha (ótimo), Beresi (bom, decaindo na segunda fase), Villalba (fraco), Elizeu (regular) e Carlitos (bom).
1º TEMPO — 0 x 0
Na primeira fase não se registrou abertura de contagem, embora até a altura dos 15 minutos o "Rolo Compressor" carregasse com mais intensidade. Daí por diante o jogo transcorreu mais ou menos equilibrado e, aos 27 minutos, Pedro e Bedeu salvam o arco renista de crítica situação.
Aos 42 minutos Ilmo cruza para Guido, que estende para Sabiá, na bucha; este envia violento petardo ao arco colorado e Ivo defende espetacularmente.
2º TEMPO — 1 X 1
Nove minutos decorriam do início da parte final da contenda, quando Ilmo, recebendo de Nirinho fechou para o arco adversário, finalizando com incrível violência e dando ensejo para que Ivo pratique mais uma sensacional defesa, mandando o couro a escanteio.
Aos 14 minutos, Tesourinha repete idêntica jogada, concluindo com o pé esquerdo, brilhando então o arqueiro Éverton, que salvou a queda de sua cidadela num momento de pânico.
O tento renista nasceu aos 17 minutos: Segura recebeu de Nirinho e invadiu a área, vencendo o arqueiro colorado em espetacular jogada.
A resposta colorada não se fez esperar muito e, aos 21 minutos, Tesourinha chuta ao arco, a bola bate em um zagueiro e vai onde estão José e Carlitos, levando a melhor o ponteiro rubro que colocou o couro — com perícia — no fundo das redes renistas.
ÁRBITRO E RENDA
O cotejo principal teve como árbitro o sr. João Valente Bastos que, afora pouca mobilidade em campo e alguns pequenos senões, foi correto e imparcial.
9.292 espectadores, entre pagantes e não pagantes, assistiram o jogo, acusando o "Borderaux" da "Máter" a cifra de Cr$ 37.187,00.
RENNER — CAMPEÃO DE ASPIRANTES DE 1948
O jogo preliminar, entre aspirantes, que era decisivo para o certame dessa categoria, foi vencido com relativa facilidade pela equipe renista, pelo folgado escore de 4 x 1.
Os tentos para a equipe vencedora foram conquistados por Santana 2 e Bruxo 2, um dos quais de penalidade máxima. O tento de honra do Internacional foi de autoria de Rebolo, ainda na fase primária do encontro.
Com essa brilhante vitória, o Renner sagrou-se, aliás, merecidamente, campeão de aspirantes do corrente ano. A equipe que conquistou tão honroso galardão para o clube industriário, assim atuou a tarde de domingo: Albotino, Nílton e Valter; Osvaldinho, Vado e André; Milton, Elpidio, Santana, Bruxo e Lalaco.
O Internacional formou com a seguinte equipe: Harry, Maravilha e Tábua; Ghizzoni, Louzada e Peruca; Leônidas, Zizinho, Roberto, Rebolo e Flávio.
Na arbitragem funcionou o sr. Joao Cittoni Neto, de desastrosa atuação.
Expulsou merecidamente Tábua do gramado e fez o mesmo, entretanto sem apoio plausível, com Peruca. Aliás, comentamos com o devido destaque, em outro local os deploráveis acontecimentos em que foi envolvido o conhecido apitador.
Fonte: Jornal do Dia (RS), n. 518, 12 out. 1948, p. 7. Disponível em: http://memoria.bn.gov.br/DocReader/098230/3801. Acesso em: 02 mar. 2026.

UM MAU EXEMPLO QUE FRUTIFICOU
Daqui destas colunas, temos, sempre, combatido as invasões de campo, os jogadores indisciplinados e, também, com mais assiduidade, as péssimas arbitragens. Não venham, agora, taxar o cronista de apaixonado, clubista ou ontras xingações do mesmo quilate, pois isso nada impede que continuemos denunciando tudo o que de errado e mau possui — infelizmente — o nosso futebol.
Para aqueles que chamam o cronista de "torcedor do Grêmio" — e sou de fato, não vendo razão para esconder minha predileção — chamo a atenção para o que, ainda domingo último, escrevi sobre a torcida tricolor:
"A torcida tricolor, por seu turno, revoltou-se contra o árbitro da peleja preliminar, mimoseando-o com cascas de frutas e palavras de baixo calão. Essas demonstrações da torcida tricolor são francamente condenáveis, pois o proprio pavilhão do Grêmio geralmente está repleto de famílias que ouvem todos os impropérios dirigidos ao juiz".
Como veem os leitores, a "paixão clubística" não chega ao ponto de toldar minha visão, procurando esconder fatos degradantes ou condenáveis, aconteçam nesta ou naquela agremiação.
Vai daí condenarmos, hoje, os deploráveis acontecimentos de domingo último no estádio "Tiradentes", quando o árbitro da peleja de aspirantes, sr. Cittoni Neto, foi agredido por um jogador colorado e "colored" — Tábua; depois recebeu alguns "mimos" de Peruca quando tste foi injustamente expulso do gramado — e, finalmente, altos próceres do Internacional que, perdendo por instantes a noção de serenidade e educação esportiva, tentaram "amarrotar" o frontispício desse moço honesto, de boa vontade, mas péssimo árbitro que tem demonstrado ser o sr. José Cittoni Neto.
Um exemplo, aliás um péssimo exemplo — foi dado no Gre-Nal 102, quando alguns jogadores do Internacional não deixaram chutar uma penalidade máxima contra seu arco. Resultado: o juiz voltou atrás de sua decisão por uma simples informação de um bandeirinha e o pênalti não foi chutado.
Esse mau exemplo criou raízes e deu frutos amargos à tarde de domingo último. Cobrada uma penalidade máxima contra os aspirantes do Internacional, estes reagiram de maneira violenta e condenável contra a punição do árbitro, ao ponto de Tábua agredir o juiz.
Se o árbitro já vinha atuando mal, daí por diante seu descontrole foi bem maior, tendo expulsado Peruca de campo sem causa verdadeiramente justificável. O jovem "colored" tentou, também, agredir o juiz, no que foi impedido.
Mas o pior estava resereado para o final do encontro, quando altos próceres do bicampeão metropolitano, perdendo por completo o senso de responsabilidade, procuraram atingir o juiz. A polícia, sempre atenta, reduziu o ardor dos paredros rubros com algumas borrachadas e tudo, felizmente, ficou nisso.
Esses acontecimentos deploráveis se estão registrando em Porto Alegre, toda a vez que um árbitro pune um dos chamados "Grandes" com penalidades máximas! Parece que o pênaiti, pela nova regra do futebol portoalegrense, foi criado exclusivamente para ser cobrado contra os "Pequenos". Eles, afinal, não tem voz ativa, tem pequena torcida e tudo fica por isso mesmo.
Fonte: CARRAZONI, Adão. Jornal do Dia (RS), n. 518, 12 out. 1948, p. 7. Disponível em: http://memoria.bn.gov.br/DocReader/098230/3801. Acesso em: 02 mar. 2026.

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