Internacional x Palmeiras (Campeonato Brasileiro de 1999)


O descenso é o inferno para qualquer clube no cenário nacional. Qual torcedor gostaria de ver seu time do coração disputando partidas no segundo escalão do futebol brasileiro? A dor do rebaixamento deve doer e nós, colorados, jamais gostaríamos de provar esse sabor amargo.

A apreensão da torcida colorada foi levemente amenizada pelo ponto ganho na justiça, depois da constatação da irregularidade na escalação de Sandro Hiroshi por parte do São Paulo. Casa cheia e os nervos aflorados, em um misto de confiança e apreensão na luta contra a queda à Série B.  O Inter ainda dependia de resultados paralelos para permanecer na Série A.

A esperança colorada estava depositada em Lúcio, Dunga e Fabiano. O Palmeiras tinha um time excelente, com Marcos, Cléber, Zinho e Paulo Nunes, odiado pela massa vermelha em virtude de sua identificação com o Grêmio.

Mal o árbitro Márcio Rezende de Freitas apitou o início de jogo e o Inter começou a pressionar o Palmeiras, que se preparava para a disputa do Mundial contra o Manchester United. Quem imaginava que o Verdão viria somente pra cumprir tabela, se enganou. O Palmeiras se defendeu e criou grandes possibilidades no primeiro tempo. O Inter, nervoso, não conseguia ter o controle da bola.

Felipão, gremista escancarado, parecia disposto a rebaixar o Internacional. Ainda nervoso, mas determinado a não cair, o Inter e seu time de operários suportavam a pressão palmeirense do jeito que dava. Mesmo desfalcado, o Verdão era um timaço. Os alto-falantes do Beira-Rio não informavam os resultados alheios, para não desmotivar o torcedor e o time. Tudo estava desfavorável e o Colorado precisava da torcida mais do que tudo.

Aos 35 do segundo tempo, o Inter chegava na frente em um contra-ataque, quando Celso, que entrou no lugar do lateral-esquerdo Gustavo, aplica um lençol no volante Galeano e é derrubado. A falta era sinônimo de esperança. Celso, artilheiro do Inter no campeonato, e Elivélton se posicionavam para a cobrança de falta.

Celso cobrou por cima da barreira e Dunga, 15 anos de volta depois de deixar o Beira-Rio, escora de cabeça, fugindo da marcação. Ele, que foi preterido por Leão nas últimas rodadas, se tornou nosso salvador.

A partir daí, loucura total. O Inter fazia o que dava para segurar o Palmeiras, depois de ter o técnico Leão expulso. Rezende deu apenas dois minutos de acréscimo e na virada dos 46, os refletores se apagam. Depois de quinze minutos sem luz, a bola volta a rolar e Pena dá o último susto, chutando uma bola por cima do gol do baixinho João Gabriel.

Fim de jogo. Internacional permanece na elite do futebol nacional e, de quebra, termina o campeonato na frente do rival. A fatídica década de 90 chegava ao fim com duas fugas do rebaixamento. Ambas bem sucedidas, graças a Deus, Letelier e Dunga.

Relembre o gol de Dunga com a narração de Pedro Ernesto Denardin:

Barão

BARÃO
(lateral-direito)

Nome completo: Adriano Vidal dos Reis
Data de nascimento: 22/6/1978
Local: Porto Alegre (RS)

Carreira:
1997-2002
Internacional
2003
Sport
2003
Vila Nova
2004-2005
Ulbra
2005
Pelotas
2006
15 de Novembro
2006-2007
Ulbra
2007
Juventude
2007
Ulbra
2008
Atlético-GO
2008
Caxias
2009
São Luiz-RS
2010
Avenida
2010
Inter de Lages
2011
Concórdia-SC
2012
Passo Fundo
2012
Guarany-BG
2013
União-FW
2013
São Paulo-RS

Barão foi um jogador que nunca inspirou confiança e credibilidade na torcida colorada. Até porque era inevitável acreditar nas escalações formadas nos anos 90 e no início do século XXI.
Aos 16 anos, saiu das escolinhas do Zequinha para integrar os juvenis do Internacional e aos 19 já integrava o elenco profissional. Mas só no ano de 1998 que ele teve as primeiras oportunidades entre os titulares, depois de conquistar a Taça São Paulo de Futebol Júnior. Em 1999, com o empréstimo de Denílson, Barão assumiu a titularidade na lateral-direita no Gauchão, onde foi um dos destaques do Internacional.
Porém, com a volta de Denílson, Barão foi para a reserva e não foi mais titular pelo Inter. Ficou no Colorado até 2002. Em seu período jogando pelo Internacional, foi reserva de Gustavo, Denílson, Márcio Goiano e Luizinho Netto. Jogou duas partidas pelo Palmeiras, onde esteve emprestado.
Saiu do Inter e foi para o Sport em 2003, onde foi campeão pernambucano. Em 2004, pela Ulbra, e em 2007, pelo Juventude, foi escolhido o melhor lateral-direito do Gauchão. Jogando no Juventude, esteve no elenco rebaixado no Brasileirão, quando começou o declínio do alviverde de Caxias do Sul.
Eliminou o Grêmio em duas ocasiões pela Copa do Brasil: em 2006, quando jogava pelo 15 de Novembro, e em 2008, pelo Atlético-GO. Na primeira oportunidade, converteu o último pênalti da decisão.
Passou por clubes do interior de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul. Sem dúvida, Barão é um dos jogadores mais folclóricos do Gauchão.

Pedro

PEDRO
(lateral-direito)

Nome completo: Pedro Alves da Silva
Data de nascimento: 25/4/1981
Local: Brasília (DF)

Carreira:
2002-2003
Palmeiras
2003
Figueirense
2004
Vitória
2005
Internacional
2005-2006
Acadêmica de Coimbra-POR
2006
Iraty
2007
Santos
2007
Corinthians
2008-2010
Sporting-POR
2010-2011
Portimonense-POR
2012
Novo Hamburgo
2012
ABC
2013
ASA
2014
CSA

Pedro foi um dos laterais mais discretos que passaram pelo Internacional. Muitos até não se lembrarão que ele esteve pelas bandas do Beira-Rio.
O lateral se profissionalizou no Palmeiras em 1999, mas somente em 2002 começou a atuar no time principal, justamente no ano em que o verdão foi rebaixado à Série B do Brasileirão. Na ocasião, o Palmeiras contava com os laterais Arce e Leo Moura.
Ficou no Palmeiras até o final do primeiro semestre de 2003 e foi emprestado ao Figueirense. Depois de fazer uma campanha razoável pelo time catarinense, rumou à Salvador, onde foi jogar pelo Vitória, também por empréstimo. No final do ano, foi contratado pelo Internacional.
Em 2005, no Beira-Rio, pouco jogou. Disputou apenas cinco partidas e não despertou a confiança de Muricy Ramalho. Após conquistar o Gauchão, foi contratado pelo Acadêmica de Coimbra. Permaneceu em Portugal por uma temporada e foi repassado ao Iraty em 2006, até ser contratado pelo Santos em 2007.
No Peixe, teve um início promissor, mas foi preterido pelo técnico Luxemburgo. Trocou o Santos pelo Corinthians, no mesmo ano. Alegando problemas com atraso de salários, abandonou a concentração e conseguiu uma transferência para o Sporting-POR, em 2008.
Jogou três temporadas pelo Sporting e foi emprestado ao Portimonense, também de Portugal. Fez um bom campeonato, mas decidiu retornar ao Brasil. Se destino foi o Novo Hamburgo. Passou ainda por ABC, ASA de Arapiraca e CSA.

Válber

VÁLBER
(meia)

Nome completo: Válber da Silva Costa

Em 1992, o Mogi Mirim fez uma campanha belíssima no Paulistão, terminando a competição nas semifinais. Na equipe que ficou conhecida como "Carrossel Caipira", se destacaram: o lateral-esquerdo Admílson, o atacante Leto, e os meias Rivaldo e Válber. Falaremos desse último.

Válber começou a carreira no Santa Cruz, do Recife, aos 20 anos. Se transferiu para o Mogi Mirim em 1992, junto com Rivaldo. No Mogi, foi um dos jogadores mais importantes na melhor fase do clube, sob o comando do técnico Vadão.

No ano seguinte, o quarteto Admílson, Válber, Leto e Rivaldo, migrou para o Corinthians. No Parque São Jorge, Válber teve um bom começo, rendendo até uma convocação à Seleção pelo técnico Parreira. Porém, dos quatro jogadores, apenas Rivaldo vingou.

Em 94, Válber rumou ao Japão para jogar a recém-lançada J-League. O fraco nível do futebol japonês e a falta de visibilidade fizeram vários brasileiros retornarem ao Brasil. Então, no ano seguinte, Válber retornou ao Brasil para jogar no Palmeiras.

O time do Palestra Itália já não era mais o mesmo que venceu dois Brasileirões. A passagem de Válber pelo Palmeiras ficou marcada por uma briga com o volante Dinho, do Grêmio, em jogo pela Libertadores. No Olímpico, o Palmeiras levou 5 a 0. Um mês depois, Válber retornou a Porto Alegre.

Válber chegou no Beira-Rio, em 1995, por empréstimo e teve um começo bastante promissor. Nos três primeiros jogos do Inter no Brasileirão, marcou três gols. Dois deles, na sua estreia, diante do Criciúma. A torcida acreditou que Leandro teria um companheiro de ataque efetivo.

O meia-atacante teve atuações destacáveis ao longo do 1º turno do Brasileirão, quase classificando o Internacional para as semifinais, participando de todos os jogos. A derrota para a Portuguesa no Beira-Rio foi determinante para que Válber passasse a ser contestado.

No segundo turno, o rendimento de Válber caiu bastante e o Inter não desempenhou boas partidas. Na reta final da competição, Abel optou por Nando, Aílton e Zé Alcino. Válber perdeu espaço e a confiança da torcida e do treinador.

Passado o empréstimo, saiu do Beira-Rio e foi para o Vasco. No clube cruz-maltino, foi artilheiro do time na temporada, mas perdeu espaço com a chegada de Ramón Menezes e Edmundo. A partir daí, começou uma fase de ostracismo e queda de rendimento.

Ainda passou por Goiás, Ponte Preta, Yokohama Marinos-JAP, Atlético-PR, Santa Cruz, e retornou ao seu Mogi Mirim, onde largou o futebol em 2004.

Jackson Coelho

JACKSON
(meia)


Jogador de velocidade e que partia pra cima dos adversários sem medo. Assim era Jackson, maranhense de Codó. Com essa fama, desembarcou no Salgado Filho após uma passagem apagada pelo Cruzeiro, mas a pedido do técnico Carlos Alberto Parreira.

O meio-campo começou a carreira no Maranhão, em 1992. Em 1994 foi para o Mogi Mirim, que se curava da ressaca que foi o furacão "Carrossel Caipira". No ano seguinte foi para o Goiás, onde foi reserva na maior parte do ano. Acabou emprestado ao Comercial-SP em 1996.

Em 97 foi para o Sport, onde começou a ter um destaque maior, conquistando o bicampeonato pernambucano. No ano seguinte, Jackson foi convocado à Seleção pela primeira vez, e o Sport terminou o Brasileirão em 5º lugar, sendo eliminado nas quartas-de-final pelo Santos.

Foi contratado pelo Palmeiras para a disputa da Libertadores em 1999, na qual o Palmeiras se sagrou campeão. No final do ano, foi descoberto que Jackson era "gato". Influenciado por um empresário, visando uma transferência para o exterior, falsificou a certidão de nascimento, "rejuvenescendo" seis anos.

Em uma troca com o Cruzeiro, que ofereceu Marcelo Ramos, o Palmeiras negociou o meia com o clube mineiro. Conquistou a Copa do Brasil de 2000 e chegou ás semifinais da João Havelange, mas não repetiu o desempenho no ano seguinte. Foi transferido ao Internacional na metade de 2001.

Estreou na segunda rodada do Brasileirão, na derrota para o Coritiba, fora de casa, por 3 a 2. Jackson marcou um dos gols do Internacional. Fez um bom campeonato com o Internacional, dentro das limitações do time, mas não deixou muitas saudades. Deixou o Colorado no final do ano.

Passou por Gama, Paulista de Jundiaí, Coritiba e Ituano, até ter sua primeira experiência no exterior. Jogou uma temporada nos Emirados Árabes Unidos pelo Al Emirates. Um anos depois, estava de volta ao Coxa.

Conquistou o tricampeonato baiano pelo Vitória em 2007, 2008 e 2009 e ajudou o Vitória a subir á Série A em 2007. Em 2010 foi campeão potiguar pelo ABC. No mesmo ano, foi para o Santa Cruz, mas não conseguiu o acesso à Série C.

Antes de se aposentar pelo Maranhão, em 2013, jogou no Serrazuense-AL, Bahia de Feira, Santa Helena-GO e Expressinho-MA.

Luiz Cláudio

LUIZ CLÁUDIO
(atacante)

2001 foi o último ano em que o Internacional aderiu à priorização da contratação de refugos, ao invés de valorizar os jovens da base. Luiz Cláudio foi um dos vários refugos que o Colorado contratou no início dos anos 2000.

O atacante começou a carreira no Treze, da Paraíba, em 1996, mas no Vasco da Gama que conquistou os primeiros títulos da carreira. Esteve presente nos elencos campeões da Libertadores em 1998, da Mercosul de 2000, e dos Brasileirões de 1997 e 2000.

No Vasco, era conhecido como "artilheiro do segundo tempo". Porém, quando jogava entre os titulares, não tinha o mesmo rendimento. No período em que esteve no time carioca, foi emprestado ao Bahia e ao Palmeiras, onde foi vice-campeão da Libertadores em 2000.

O Internacional o contratou em 2001, para ser o substituto de Rodrigão. Com Parreira, Luiz Cláudio foi titular na maior parte do ano. Sua estreia foi péssima. No Beira-Rio, perdeu um pênalti contra o Cruzeiro, em partida válida pela Copa Sul-Minas. O Internacional foi derrotado por 2 a 0.

Aos poucos, o atacante foi superando as vaias, mas nunca foi unanimidade com a torcida colorada. Seu gol mais bonito foi uma bicicleta em um Gre-Nal válido pelo Gauchão, onde o Inter foi derrotado por 4 a 2. Outro gol memorável de Luiz Cláudio foi contra o Santos, na primeira fase do Brasileirão. O atacante chutou quase sem ângulo, vencendo o goleiro Pitarelli.

A irregularidade e questões contratuais envolvendo o Vasco fizeram com que o jogador não permanecesse no Beira-Rio em 2002. Acabou se transferindo para o Sport. A partir daí, rodou por vários clubes: Boavista-POR, Botafogo, São Caetano, Duque de Caxias, Vila Nova, Macaé, Noroeste-SP, Al-Ansar-LBN e Angra dos Reis, seu último clube.

Nílson

NÍLSON
(atacante)

Nome completo: Nílson Esídio Mora
Data de nascimento: 10/11/1965
Local: Santa Rita do Passa Quatro (SP)

CARREIRA:
1983-1984 - Sertãozinho
1985 - Platinense-PR
1986 - XV de Jaú
1986-1987 - Ponte Preta
1987 - XV de Jaú
1988-1989 - Internacional
1989 - Celta-ESP
1990-1991 - Grêmio
1991-1992 - Portuguesa
1992 - Corinthians
1993 - Flamengo
1993 - Fluminense
1994 - Albacete-ESP
1995 - Valladolid-ESP
1995 - Palmeiras
1996 - Vasco
1997 - Atlético-PR
1997 - Tigres-MEX
1998 - Sporting Cristal-PER
1999 - Atlético-MG
2000 - Santo André
2001 - Santa Cruz
2001 Rio Branco-SP
2002 - Portuguesa Santista
2003 - Atlético Sorocaba
2005 - Nacional-SP

A relação de Nílson com os Gre-Nais é da mais pura intimidade, tanto pelo lado vermelho quanto pelo azul. Sempre decisivo nos clássicos, o goleador deixou sua marca no jogo mais importante entre Internacional e Grêmio na história dos Gre-Nais.

O jovem cortador de cana Nílson trocou a foice pela chuteira em 1983, quando iniciou a carreira profissional pelo Sertãozinho. Na sequência, foi emprestado ao Platinense, clube em que ajudou a subir à primeira divisão paranaense.

Depois de passar por XV de Jaú, onde ficou conhecido como o "substituto de Dadá" e foi treinado pelo mesmo, e pela Ponte Preta, o Internacional acreditou no talento de Nílson. E deu muito certo. Em sua primeira temporada no Colorado, Nílson se tornou artilheiro do Campeonato Brasileiro e protagonista do "Gre-Nal do Século", valido pelas semifinais do certame.

O Inter perdia por 1 a 0, em pleno Beira-Rio lotado. Até que aos 16 minutos do segundo tempo, Edu Lima cobra uma falta no miolo da área e Nílson sobe no melhor estilo Dadá Maravilha pra empatar a partida. A virada espetacular veio aos 26 minutos, com um meio chute/meio cruzamento de Maurício pela ponta direita e Nílson completando.

O Gre-Nal do Século foi a consagração de Nílson, que mostrou as virtudes de um legítimo camisa 9. Entretanto, a derrota para o Bahia na decisão e o pênalti desperdiçado na semifinal da Libertadores diante do Olimpia geraram um sentimento de contestação por parte da torcida Colorada.

Nílson deixou o Inter em 89 e foi para o Celta, onde recebeu a alcunha de "pseudo-pérola negra", pois esteve longe da grife que a artilharia do Brasileirão lhe proporcionou.

Em 1990, um choque para os colorados e a alegria para os gremistas: Nílson trocou a Espanha pelo Grêmio. A recepção foi surpreendente, pois a torcida tricolor abraçara seu carrasco de 88/89. Nílson correspondeu, matando o colorado duas vezes no ano de 1990.

Mesmo assim, nada abalou o sentimento de gratidão que o torcedor colorado carrega desde aquele dia 12 de fevereiro de 1989, quando 80 mil colorados testemunhavam o histórico "tchauzinho" que Nílson Esídio mandava para a torcida tricolor, que cantou a vitória antes mesmo do segundo tempo.

Assim como Dario Maravilha, Nílson rodou Brasil afora, jogando em todos os cantos e em mais de 20 clubes, pequenos e grandes, sempre deixando a sua marca de artilheiro.